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Esquadra de Cabral - Cabral comanda a maior e mais bem equipada frota a zarpar dos portos ibéricos até então. Com dez naus e três caravelas, leva 1.500 homens, quase 3% da população de Lisboa, na época com cerca de 50 mil habitantes. São representantes da nobreza, comerciantes, artesãos, religiosos, alguns degredados e soldados. Participa da expedição um banqueiro florentino, Bartholomeu Marquione, elo de ligação entre a Coroa portuguesa e Lourenço de Medici, o senhor de Florença. É essa expedição que descobre o Brasil, dia 22 de abril de 1500. |
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O polemico desvio de rota - Por muito tempo, o descobrimento do Brasil, ou "achamento", como registra o escrivão Pero Vaz de Caminha, é considerado simples acaso, resultado de um desvio de rota. A partir de 1940 vários historiadores brasileiros e portugueses passam a defender a tese da intencionalidade da descoberta, hoje amplamente aceita. |
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Evidencias - Em 1498 o rei dom Manuel manda o cosmógrafo e navegante Duarte Pacheco Pereira percorrer a mesma rota de Vasco da Gama e explorar a chamada "quarta parte", o quadrante oeste do Atlântico sul. Em seu livro Esmeraldo de situ orbi, o navegante relata suas descobertas: "...temos sabido e visto donde nos vossa alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além da grandeza do mar Oceano, onde foi achada e navegada uma tão grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes..." Mais dois navegantes espanhóis, Vicente Pinzón e Diego de Lepe, também teriam aportado nessas terras, respectivamente em janeiro e fevereiro de 1500. Não tomam posse do território por saberem estar na área portuguesa demarcada pelo Tratado de Tordesilhas. |
O Brasil foi descoberto pelos portugueses em 1500, sendo posteriormente colonizado a partir de 1530. A expedição marítima capitaneada por Pedro Álvares Cabral. inicialmente teve por objetivo a chegada às Índias. Porém, realizando uma rota marítima baseada no empuxo das correntes oceânicas, as naus da expedição aproximaram-se da costa brasileira, e uma primeira porção insular de terra foi avistada no dia de 22 de abril. |
A posse da terra - A esquadra portuguesa avista sinais de terra dia 21 de abril pela manhã, segundo a carta de Pero Vaz de Caminha: "...eram muita quantidade de ervas compridas a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo de asno". Na manhã seguinte, 22 de abril, avistam aves e "... neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente de um grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele, e de terra chã..." |
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Primeira missa e posse formal - No dia 26 de abril, frei Henrique de Coimbra, capelão da esquadra, celebra a primeira missa . na nova terra, no local hoje conhecido como Coroa Vermelha - na época um ilhéu, atualmente um promontório. Cabral toma posse formal do novo território em nome da casa real portuguesa em 1o de maio. No dia seguinte, a esquadra parte rumo às Índias. Uma nau volta a Portugal com as cartas dos pilotos, inclusive a de Caminha, que relatam a descoberta ao rei. Ficam em terra dois desertores e dois marinheiros com a missão de aprender a língua dos nativos. |
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Aproximando-se mais da nova terra, logo a expedição de Cabral estabeleceu contato com as populações locais. Este primeiro contato com as populações nativas foi registrado na carta de Pero Vaz de Caminha, tratando-se do primeiro documento escrito em solo brasileiro. |
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Grandes grupos indígenas - A primeira classificação dos nativos brasileiros só é feita em 1884 pelo viajante alemão Karl von Steinen. Ele registra a presença de quatro grupos ou nações indígenas: tupi-guarani, a maioria, jê ou tapuia, nuaruaque ou naipure e caraíba ou cariba. São sociedades tribais baseadas no patriarcalismo e numa divisão sexual e etária do trabalho. Vivem principalmente da caça, da pesca, da coleta de frutos e raízes. Alguns grupos já praticam uma agricultura de subsistência. Plantam tabaco, milho, batata-doce, mandioca, abóbora e ervilha e usam a queimada para limpar o solo. Com os portugueses, começam a cultivar também o arroz, o algodão e a cana-de-açúcar. |
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Reconhecimento da Nova Terra O primeiro reconhecimento da nova terra é feito em maio de 1500 pela nau mandada de volta a Portugal com a notícia do descobrimento. Rapidamente a Coroa envia uma expedição exploratória à terra nova. Chega ao litoral do atual Rio Grande do Norte em 1501 e navega para o sul por cerca de 2.500 milhas. Dá nomes aos lugares descobertos: baía de Todos os Santos, cabo de São Tomé, Angra dos Reis, São Vicente. A segunda expedição, entre 1502 e 1503, conta com a participação de Américo Vespúcio, navegante italiano que tem seu nome associado a todo o continente e, nessa época, trabalha para Portugal. |
Ambições portuguesas quanto ao Brasil. Um documento importante para a compreensão do momento histórico em Portugal e no Brasil trata-se da carta de Pero Vaz de Caminha a El-Rei, em que Caminha relata em primeira mão sobre o modo de vida dos aborígines no Brasil, além de vislumbrar na nova terra uma fonte perene de belezas naturais. Apesar do otimismo de Caminha, no período pré-colonial, as riquezas naturais das terras brasileiras não despertaram o interesse da Coroa portuguesa por vários motivos: a economia desenvolvida pelos indígenas do Brasil era bastante simples em relação à economia dos povos das Índias, pois o aproveitamento dos produtos indígenas orientava-se apenas para a subsistência destes primeiros povos brasileiros. Desta forma, a exploração da matéria-prima brasileira exigia trabalho de extração e de transformação em mercadorias pelos portugueses, tratando-se de uma realidade bastante diferente daquela encontrada na Índia: nesta última região, o comércio era francamente desenvolvido e as mercadorias já não encontravam-se em estado de matéria-prima, pois já haviam passado pelo processo de refinação, ou seja, já eram em si mercadorias acabadas. Tais mercadorias tratavam-se de excedentes, então passíveis de troca comercial. Portanto, no início, o Brasil não despertou interesse em Portugal quanto à exploração, e o processo de retomada deste interesse e início da colonização no Brasil foram deflagrados pelas primeiras invasões francesas no território brasileiro. |
ENTRADAS Completamente voltada ao comércio com o Oriente, a Coroa portuguesa arrenda a exploração da costa para um grupo de comerciantes liderados por Fernão de Loronha, que entra para história com o nome de Fernando de Noronha. Outro explorador que teve grande importancia para nossa Historia foi Martim Afonso de Souza. Eles podem extrair pau-brasil de 300 léguas do litoral por ano, comprometem-se a pagar as taxas devidas e a garantir a defesa da costa. |
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PRIMEIROS IMIGRANTES Muitos europeus se fixam no Brasil nos primeiros anos após o descobrimento. São náufragos, marinheiros desertores, degredados expulsos de Portugal pelas draconianas Ordenações Manuelinas, legislação criminal portuguesa considerada a mais severa da Europa. Chegam também aventureiros de várias nacionalidades, inclusive fidalgos em missões oficiais ou em busca de fortuna. Vêm ainda judeus portugueses e ciganos convertidos ao cristianismo, os chamados cristãos-novos. |
CONCORRÊNCIA ESTRANGEIRA Atraídos por histórias de tesouros fantásticos, outros povos fazem viagens freqüentes às costas do novo território, principalmente espanhóis e franceses. Voltam com os navios abarrotados de pau-brasil e obtêm lucros certeiros nos mercados europeus. As expedições são feitas por particulares: comerciantes, traficantes e piratas, a maioria com apoio velado de seus governos. |
A corte no Rio de Janeiro -Em 7 de março de 1808, a corte se transfere para o Rio de Janeiro. No primeiro momento, a mudança provoca grandes conflitos com a população local. A pequena cidade, com apenas 46 ruas, 19 largos, seis becos e quatro travessas, não tem como acomodar de uma hora para outra os 15 mil novos habitantes. Para resolver o problema, os funcionários reais recorrem à violência, obrigando os moradores das melhores casas a abandoná-las a toque de caixa. A senha P.R. (príncipe-regente), inscrita nas portas das casas escolhidas, passa a ter para o povo o sentido pejorativo de "ponha-se na rua". Apesar dos contratempos iniciais, a instalação da realeza ajuda a tirar a capital da letargia econômica e cultural em que está mergulhada. |
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REPERCUSSÕES ECONÔMICAS Logo ao chegar, dom João decreta a abertura dos portos às nações amigas, abolindo o monopólio comercial luso. A vida econômica muda radicalmente. O séquito real amplia a demanda de bens de consumo e aumenta as despesas públicas. O comércio se diversifica com a inundação de produtos estrangeiros suntuários e o príncipe toma medidas de incentivo à indústria. |
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ABERTURA CULTURAL São criadas a primeira escola superior, a Médico-cirúrgica, em Salvador, em 18/2/1808; a Academia da Marinha, em 5/5/1808, e a Academia Militar do Rio de Janeiro, em 4/12/1808; e a primeira Biblioteca Pública (atual Biblioteca Nacional), também no Rio de Janeiro, em 13/5/1811. Cultura e ciências são também estimuladas com a criação do Jardim Botânico e da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (depois Academia de Belas Artes), em 4/12/1810. |
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REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA O mau desempenho da indústria açucareira no início do século XIX mergulha Pernambuco em um período de instabilidade. Distantes do centro do poder, a presença da corte no Brasil traduz-se apenas em aumento de impostos e faz crescer a insatisfação popular contra os portugueses. Em 1817 estoura uma revolta: de um lado, proprietários rurais, clero e comerciantes brasileiros, de outro, militares e comerciantes portugueses vinculados ao grande comércio de importação e exportação. |
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A questão da escravidão - O governo revolucionário compromete-se a garantir os direitos individuais, as liberdades de imprensa, culto e opinião, mas divide-se na questão da escravidão. Comerciantes, como Domingos José Martins, defendem a abolição. Os representantes do setor agrícola, como Francisco de Paula, se opõem, temendo a repetição dos massacres de brancos ocorridos no Haiti. A divergência impede a participação dos combatentes negros e de suas lideranças, como o capitão mulato Pedro Pedroso. Divididos e isolados do resto da colônia, os revoltosos não resistem por muito tempo. São derrotados pelas tropas de dom João VI em 19 de maio de 1817. As lideranças são presas e os líderes mais importantes são executados. |
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